quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Monologo das mãos


Mao e uma e coisa muitas das vezes atrapalhada, difícil. Mas elas contam toda nossa vida.

Por exemplo, a mão de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabor, salvou o trono da França e apagou para sempre a aureola do famoso revolucionário.

Não sei lá quem foi que queimou as mãos. E que por engano, não matou por sena que também não sei quem e.

Foi com as mãos que Jesus amparou Madalena e era com as mãos que os césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena.

Pilatos lavou as mãos para tentar limpar sua consciência. Com as mãos David agitou a funda que matou Golias;

Com as mãos eram marcadas umbrais das portas dos judeus com mãos vermelhas para que o espirito de morte não passasse por ali.

Com as mãos que Judas pôs no pescoço o laco, que os outros Judas não encontram.

Com as mãos, o bom ampara e o injusto puni. O amante acaricia e o ladrão rouba.

O honesto trabalha e o viciado joga.

Elas assim acariciam o corpo amado trazendo cada vez mais para perto do amor e do sexo, usando todos os dedos das duas mãos.

Mas de repente pode se transformar em repulsa, horror, terror, pavor.

E sendo agredida se defendem, não, por favor, não! Quem eu? Minha culpa?

Minha máxima culpa. Minha culpa.

Eu juro! Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Amem.

O autor do Homo Rebus lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;

A primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.

Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.

A mão aberta ,acariciando, mostra a bondade; Fechada e levantada, representa poder força, poder, opinião.

Suave como uma bailarina, ela desliza ela valseia, ela dança. O herói empunha a espada, a pena e a cruz!

Modela os mármores e os bronzes; Da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza. Humilde e poderosa no trabalho cria a riqueza; Doce e piedosa nos afetos ela medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.

Ela enxuga as lagrimas alheia, e também as suas, escondendo-as muitas vezes dentro da vergonha da mais profunda solidão da total incapacidade de amar.

As mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes. Preparam os alimentos com amor a beira de fogo, e alimenta os filhos que ainda, com as suas mãos, não o sabem.

Nas despedidas a gente parte, mas a mão fica ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.

Com as mãos, os arquitetos planejam sonhos da mente, casas, pontes, edifícios, mansões, palácios, e o trabalhador com as mãos os constroem.

Mas também com as mãos, nos atiramos um beijo, uma pedra, uma flor, uma granada, uma esmola, uma bomba, um lenço ou um pão.

Com as mãos, o agricultor semeia, e o anarquista vem, e incendeia.

Com as mãos nos construímos os salva vidas, os canhões, os balsamos, os instrumentos de tortura, os venenos, os remédios, a arma que fere e o bisturi que salva.

Com as mãos o vencedor ergue os ramos e o carrasco a corda.

Com as mãos nos tapamos a s vista para não ver e é justamente com elas que protegemos as vistas para ver melhor.

Os olhos dos cegos são as mãos. Os mudos falam com as mãos.

As mãos na agulheta do submarino leva o homem para o fundo do mar para onde vivem os peixes, e no volante da aeronave leva-o para o ar como os pássaros.

Jesus abençoava com as mãos.

O homem, para pedir a criatura amada em casamento pedem a mão.

Com elas assinamos os maiores e os mais importantes documentos e tratados de nossas vidas. Pois por mais que haja maquinas, são as mãos que sempre assinam. Pois com elas são identificados cada ser, quer seja por digitais ou por caligrafia. São as mãos que possuem e executam.

Agora, um aperto de mãos pode ser o maior pacto de amizade por uma vida inteira.

E nos dois extremos da vida da vida.

Quando nascemos para o mundo e quando partimos para sempre,

Ainda são as mãos que prevalecem

Pois quando nascemos para nos levar a caricia do primeiro beijo são as mãos maternas que nos agasalham e acariciam o corpo pequenininho.

E no fim da vida quando os olhos fecham o corpo gela e os sentidos desparecem, ainda são as mãos brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.

E a imagem consoladora do Nazareno pregado na cruz (pelas mãos) vai conosco para debaixo da terra e nossas mãos cruzadas sobre o peito.

E as mãos dos amigos nos conduzem, e as mãos dos coveiros nos enterram.

E pelas mãos somos gratos a Deus, pois com as Suas que são Santas Ele nos recebe em seu reino.